segunda-feira, 4 de maio de 2009

Proibição com luvas – Maio de 2009

Não é a primeira desde 2003/2004…. Em 2003/2004 foi na “zona da Feira”, ao fundo da vila. Pretexto: tapava a visibilidade de alguns comerciantes e seus estabelecimentos. Umas barreiras de altura resolveram o caso, sem ser necessário chamar a polícia ou colocar placas de proibição.

Mais tarde, (um ano depois?) na zona ao lado (cais), sucedeu-lhe o mesmo: barreiras de altura. Durante pouco tempo (2 anos, 2 anos e meio?) a situação dos autocaravanistas pareceu viver uma mudança que faria esquecer as barreiras impeditivas: ao lado da Escola Primária era possível estacionar, pernoitar e, mais importante que isso, podia-se fazer uso de um improvisado sistema de limpeza com despejos para wc químicos , águas sujas e limpas. Mas foi sol de pouca dura…. Terão alguns abusado da sorte, por colocarem no exterior o material por outros intitulado de campismo? Era ou não era uma zona para autocaravanistas? Chocava a população, comerciantes ou dirigentes camarários, as mesas e cadeiras no exterior, os toldos sombreiros, os assadores com peixe e carne frescos do mercado mesmo ali à mão de semear? Correram rumores que o espaço estava destinado a outros voos: construção de imóveis, provavelmente moradias. O tempo passou, e mais uma vez, agora em Maio de 2009, assim como em Agosto de 2008, constatei que nem buracos existem no local, só uns montes de areia ervas altas…

E, para muitos autocaravanistas, uns, recém-chegados, outros, já reincidentes; uns mais observadores, outros menos, Porto Côvo (é este o nome do Paraíso perdido…) continua a ser um local para férias e fins-de-semana, recorrendo à falésia (nos locais ainda não vedados por arames farpado), às ruas da aldeia, aos bairros e, por enquanto, ao parque de estacionamento ao lado da Praia Grande. Por enquanto, porque, no feriado do 1 de Maio, esta trabalhadora e outros que por lá estavam, depararam-se com novas barreiras amarelas e pretas, quais girafas tontas (sem ofensa para as elegantes criaturas), a barrar uma das entradas /saídas do dito parque. Eram recentes e possivelmente não houve tempo de colocar outras na outra entrada. No próximo fim-de-semana, certamente que, com luvas às riscas amarelas e pretas se fecha mais um local onde as AC podiam parar, estacionar, pernoitar. E assim Porto Côvo se fecha a este tipo de viajantes, a este tipo de turismo. Rumores se ouviram novamente; que o dono do restaurante da Praia Grande se queixara da diminuição de clientes à conta dos autocaravanistas…

Ao lado de quem se queixa, questiono-me também sobre problemas ambientais: onde vão aquelas 50 AC (era o simpático número na noite de 1 para 2 de Maio) despejar as suas águas sujas? A todas lhes preocupará salvaguardar o meio ambiente? Mas não será certamente esta a questão que os tais queixosos levantam, caso contrário já teriam disponibilizado um terreno com as devidas condições técnicas para estes percalços ambientais. Se a questão se prende ao cifrão também não percebo por que razão não criam o dito terreno, com um preço diário? ! Eu por mim não me importaria nada de pagar, mas provavelmente aqui a questão fundamental nem é o dinheiro.

Certamente que, porém, não é esta a questão crucial de quem coloca barreiras. Nem sequer a questão comercial e turística o será?! O que é desconheço, porque uma proibição com luvas, sem texto oral ou escrito nada explica, apenas discrimina e, caramba, choca-me ser alvo de discriminações! Também tenho direito de ir à praia, de ver a paisagem, de comprar… a propósito: fiz as contas: 43,90€ num jantar na aldeia, 31€ em supermercados, 18,70€ em jornais , revistas e euromilhões, 14 € em doces e gelados, 14€ na prenda para o dia da mãe, 6,05€ em utensílios vários nos chineses da terra (já que divulgo este último comerciante beneficiado, acrescento os restantes: “Marquês geladaria” e “Loja das Prendas”, Coop e mercado na rua da Padaria, tabacaria).

Fechado o parêntesis provavelmente pouco representativo para os comerciantes que beneficiam com as minhas visitas, imagino o que se soma só com 50 AC… Se fizermos as contas a pelo menos 2 pessoas por AC, serão só ali, 100 pessoas. Qual é o Hotel de Porto Côvo que comporta esta centena (já para não falar dos outros por ali fora espalhados!?… E qual o Camping (no caso de ser esse o argumento) que tem espaço para tantas famílias sobre rodas?

Mais uma vez fico sem resposta e mais uma vez me escandalizo com a falta de visão daqueles que nos dirigem neste país.

Ah! Esquecia-me de referir que quando chegámos as barreiras estavam em pé, mas durante o fim-de-semana um irlandês sexagenário, sem intenções revolucionárias (não se lembre alguém de acusar a terceira idade de gestos irreverentes e violentos…) tocou ao de leve num poste e a estrutura desmoronou-se. Só digo isto não se desse o caso de alguém pensar que tinha sido eu, várias testemunhas constataram o acto e sorriram à imperfeição e improvisação da estrutura. No domingo já estava novamente em pé, com parafusos e cadeado!

Talvez lá passe mais para o Verão para tirar nova foto às duas barreiras e , espero, a menos AC a encher os bolsos dos ex-donos daquele Hotel.








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